
“...Prostraram-se e adoraram-n’O (Mt 2, 11)”
A Festa da Epifania (manifestação do Senhor) é a festa de conclusão da Festa de Natal. Nesta festa, se celebra a manifestação do Senhor aos três Reis Magos. Foi por uma estrela misteriosa, predita pelo profeta Balaam, que os magos souberam o nascimento do Salvador: puseram-se logo a caminho e foram adora-lo. Os magos eram do número dos gentios; manifestando-se-lhes, mostrava o Senhor, que ele chamava à luz evangélica não só o povo escolhido, mas também todos os povos. A adoração dos magos e a vocação dos gentios, eis o objeto principal da festa da Epifania e que terá como aplicação à catequese a adoração devida a Deus, proêmio do 1° mandamento da Lei de Deus, donde será exposta as três considerações deste mandamento: os direitos de Deus sobre nós, Sua bondade para conosco e nossa obrigação de morrer para o pecado (Cat. Rom, p. III, c. II, §1 e 2).
Os direitos de Deus sobre nós: Assim diz a Escritura: “Ele é o Senhor Nosso Deus, e nós somos o povo de Suas pastagens, e as ovelhas de Sua guarda (cf. Ex 20, 2)”. O homem há de render a Deus um culto de adoração, ou seja, um culto de ordem mais elevado, de tal maneira que não possa ser sobrepujado nem igualado por outro algum: assim exige a lei. Assim expõe a lei escrita o primeiro mandamento que, ao promulgar no Monte Sinai, de uma forma mais ampla revestida de um caráter imperativo e proibitivo, Deus falou a Moisés: “Eu sou o Senhor Vosso Deus; Vosso libertador da casa da servidão; não terás outro Deus ante minha presença. Não farás para ti, nem figura alguma do que está em cima nos céus, embaixo ou sobre a terra, ou nas águas ou debaixo da terra. Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto (Ex 20, 2-5)”. Observa o Catecismo que estas palavras eram aplicadas apenas aos Judeus, mas que no entanto, se compreendermos as promessas que Deus cumpriu de que por meio do seu povo eleito viria Aquele que viria a ser o Salvador e Redentor de todos os homens, tal lei reveste-se de um caráter universal: “elas se referem muito mais aos cristãos, que Deus arrancou, não do cativeiro do Egito, mas da região do pecado e do poder das trevas, e transferiu-os para o Reino de Seu amado Filho (cf. Cl 1, 13) (Cat. Rom, p. III, c. II, §1)”.
Sua bondade para conosco: Assim diz o profeta Jeremias ao fazer a seguinte profecia: “Eis que chegarão os dias, diz o Senhor, e não se dirá: vive o Senhor, que tirou os filhos de Israel da terra do Egito; mas, sim, Vive o Senhor, que tirou os filhos de Israel da terra do Norte, e de todos os países em que Eu os havia lançado. Eu hei de leva-los novamente à sua terra, que havia sido dada a seus pais. Eis que mandarei muitos pescadores, diz o Senhor e eles os pescarão, etc (cf. Jr 16, 14ss)". Assim conclui o Catecismo: “Realmente, em Sua misericórdia infinita, o Pai congregou numa só família, por mediação de Seu Filho, todos os filhos que se achavam dispersos (cf. Jo 11, 52), para que já não sendo escravos do pecado, mas servidores da justiça (cf. Rm 6, 18) (Cat. Rom., p. III, c. II, §1)".
Nossa obrigação de morrer para o pecado: Como conclusão, para que fosse feita a devida adoração a Deus que prestaram os três Reis Magos, foi necessário que eles dessem os presentes a quem eles o reconheceram como Senhor (cf. Mt 2, 11). Assim o ouro, representa toda a nossa gratidão externa daquilo que de melhor nós temos, assim como outrora os judeus ofereciam em holocausto os animais mais puros que possuíam; o incenso significa a oração, ou seja, a nossa súplica interior na qual manifestamos com toda a nossa alma a gratidão que nós temos para com Ele; e a mirra representa a mortificação dos nossos vícios, pois uma vez reconhecendo a adoração devida à Deus exteriormente e interiormente, reconhecemos nossas faltas para que possamos pertencer Àquele que por nós morreu e ressuscitou (cf. 2Cor 5, 15).
LAUS DEO MARIAEQUE!
Eduardo Gomes
