segunda-feira, 23 de março de 2009
Aviso sobre a catequese na liturgia...
Venho informar que devido a compromissos que assumi a uns tempos desde o mês de fevereiro e ao tempo da Quaresma que nos proporcionar um retiro de nós mesmo, tenho limitado a minha disponibilidade em estar fazendo artigos relacionados a catequese e liturgia, donde se extrai do Evangelho dominical segundo o Rito Romano que segue as rúbricas de 1962 promulgada pelo Papa João XXIII e se adapta ao ensino catequético contido nos 4 pontos da doutrina cristã, contida de forma tão clara e concisa no Catecismo Romano ou também conhecido como o Catecismo de Trento promulgado pelo Papa São Pio V e que segue ainda hoje como o "Catecismo mestre" conforme recordara o Papa João Paulo II em sua Carta Depositum Fidei em que promulgara o Novo Catecismo que segue algumas necessidades acidentais da nossa época.
Portanto, a partir da presente data, as atualizações que o blog terá será mais referente as principais festas litúrgicas que ocorrerão. Quanto a catequese, julguei necessário traze-las a partir do dia de Pentecostes, donde o fim do tempo de Pentecostes culminará com o Tempo do Advento, na qual já temos disponível em nosso blog.
A. M. D. G. V. M.
Eduardo Gomes
Festa da Bem-Aventurada Virgem Maria (25/03) – Meditationes ex operibus S. Thomae

1º) Para que se guardasse a ordem conveniente da união do Filho de Deus com a Virgem, quer dizer, para que seu espírito lhe supere antes que lhe conceba na carne. Pelo qual disse Santo Agostinho: “De nada haveria aproveitado a Maria sua qualidade de Mãe, se não houvesse levado mais felizmente a Cristo em seu coração do que em seu corpo (De Virginitate, cap. 3)”.
2º) Para que tivesse mais certa da notícia deste mistério uma vez que já havia sido instruída dele por parte de Deus.
3º) Para que oferecesse a Deus o presente voluntário de sua obediência, ao que se ofereceu disposta, dizendo: “Eis aqui a Escrava do Senhor (Luc I, 38)". E dá exemplo de receber a fé, porque a anunciação, que é pela pregação da fé, segundo o trecho: "a fé vem pelo ouvido (Rom X, 17)", precedeu a conceição espiritual de Cristo que é pela fé.
4º) Para que manifestasse haver certo matrimônio espiritual entre o Filho de Deus e a natureza humana; e por isso, se esperava pela anunciação o consentimento da Virgem em nome de toda a natureza humana.
II. A anunciação foi feita pelo Anjo com uma ordem conveniente.
Três coisas se propõem o Anjo com relação a Virgem.
1º) Chamar a atenção de sua alma a consideração de uma coisa grande, o qual fez ao saudar de uma maneira nova e desusada; porque para uma alma humilde nada é mais extraordinário que ouvir falar de sua excelência; mas a admiração excita a atenção da maneira mais viva; e por isto o Anjo, querendo chamar a atenção da mente da Virgem a audição de um mistério tão grande, começa por aclamar: “Deus te salve, oh cheia de graça! (Luc I, 28)”. No qual a expulsou primeiro sua idoneidade de conceber, ao dizer: "Cheia de graça"; expressou que conceberia nestas outras palavras: “O Senhor está contigo”; e lhe anunciou a conseguinte honra quando disse: “Bendita és tu entre as mulheres”.
2º) Propor-se a instrui-la no mistério da Encarnação, que devia cumprir-se nela, o qual fez preanunciando a conceição e o parto: “Conceberás em teu seio e darás à luz (Ibid, 31)", e ao manifestar-se a dignidade da prole concebida quando disse: “Este será grande, etc (Ibid, 32)”, e também ao demonstrar o modo da conceição nestas palavras: “O Espírito Santo virá sobre ti (Ibid, 35)”.
3º) Tratava de atrair seu ânimo ao consentimento, o qual fez com o exemplo de Izabel e com o argumento tomado da onipotência divina.
(III, q. 30, a. 1 e 4)
(Pe. Mézard, O. P., Meditationes ex Operibus S. Thomae Depromptae. Trad. no castellano por Luís M. de Cádiz. Ed. Emecé, Buenos Aires, 1948).
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Festa da purificação da Bem-Aventurada Virgem Maria (02/02) - Meditationes ex operibus S. Thomae

Ordem da manifestação de Cristo - Meditationes ex operibus S. Thomae

1º. O nascimento de Cristo foi manifestado em primeiro lugar aos pastores, no dia mesmo do nascimento de Cristo. Com efeito, diz o Evangelho de Lucas: « Ora, naquela mesma região, havia uns pastores que velavam e faziam de noite a guarda ao seu rebanho. E depois que os anjos se retiraram deles para o céu, os pastores diziam entre si: vamos até Belém. E foram com grande pressa » (Lc 2, 8, 15, 16).
2º. Os magos chegaram a Cristo treze dias depois de seu nascimento, dia no qual se celebra a Epifania. Pois se tivessem vindo um ano depois ou passado dois anos, não o teriam encontrado em Belém, pois o Evangelho de Lucas diz: « Depois que cumpriram tudo, segundo o que mandava a lei do Senhor, isto é, depois de ter oferecido o menino Jesus no Templo, voltaram para a Galiléia, para a sua cidade de Nazaré » (Lc 2, 39).
3º. Foi manifestado aos justos no templo, quarenta dias depois do nascimento, como diz o Evangelho de Lucas. (Lc 2, 22).
Eis a razão de tal ordem. Os pastores simbolizam os apóstolos e os outros crentes os judeus, aos quais foi manifestada em primeiro lugar a fé em Cristo, entre eles, como diz a primeira Carta aos Coríntios, não havia nem muitos poderosos, nem muitos nobres. Em segundo lugar, a fé em Cristo chegou à totalidade das nações, prefigurada pelos magos. E, finalmente, chegou à totalidade dos judeus, prefigurada pelos justos. E, por isso, Cristo foi-lhes manifestado no templo dos judeus.
Portanto, deve-se dizer que a manifestação do nascimento de Cristo foi uma antecipação da manifestação plena que haveria de vir. E assim como na segunda manifestação a graça de Cristo foi anunciada por Cristo e por seus apóstolos, primeiro aos judeus, e depois aos pagãos, assim também, os primeiros a aproximar-se de Cristo foram os pastores, que eram as primícias dos judeus e estavam perto; depois vieram os magos, de longe, como primícias dos pagãos, na expressão de Santo Agostinho.
III. q. 36, a. 6 et a. 3 ad 1m.
(Pe. Mézard, O. P., Meditationes ex Operibus S. Thomae Depromptae. Trad. no castellano por Luís M. de Cádiz. Ed. Emecé, Buenos Aires, 1948).
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Catequese e liturgia – Festa da Epifania do Senhor (dia 06/01)

“...Prostraram-se e adoraram-n’O (Mt 2, 11)”
A Festa da Epifania (manifestação do Senhor) é a festa de conclusão da Festa de Natal. Nesta festa, se celebra a manifestação do Senhor aos três Reis Magos. Foi por uma estrela misteriosa, predita pelo profeta Balaam, que os magos souberam o nascimento do Salvador: puseram-se logo a caminho e foram adora-lo. Os magos eram do número dos gentios; manifestando-se-lhes, mostrava o Senhor, que ele chamava à luz evangélica não só o povo escolhido, mas também todos os povos. A adoração dos magos e a vocação dos gentios, eis o objeto principal da festa da Epifania e que terá como aplicação à catequese a adoração devida a Deus, proêmio do 1° mandamento da Lei de Deus, donde será exposta as três considerações deste mandamento: os direitos de Deus sobre nós, Sua bondade para conosco e nossa obrigação de morrer para o pecado (Cat. Rom, p. III, c. II, §1 e 2).
Os direitos de Deus sobre nós: Assim diz a Escritura: “Ele é o Senhor Nosso Deus, e nós somos o povo de Suas pastagens, e as ovelhas de Sua guarda (cf. Ex 20, 2)”. O homem há de render a Deus um culto de adoração, ou seja, um culto de ordem mais elevado, de tal maneira que não possa ser sobrepujado nem igualado por outro algum: assim exige a lei. Assim expõe a lei escrita o primeiro mandamento que, ao promulgar no Monte Sinai, de uma forma mais ampla revestida de um caráter imperativo e proibitivo, Deus falou a Moisés: “Eu sou o Senhor Vosso Deus; Vosso libertador da casa da servidão; não terás outro Deus ante minha presença. Não farás para ti, nem figura alguma do que está em cima nos céus, embaixo ou sobre a terra, ou nas águas ou debaixo da terra. Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto (Ex 20, 2-5)”. Observa o Catecismo que estas palavras eram aplicadas apenas aos Judeus, mas que no entanto, se compreendermos as promessas que Deus cumpriu de que por meio do seu povo eleito viria Aquele que viria a ser o Salvador e Redentor de todos os homens, tal lei reveste-se de um caráter universal: “elas se referem muito mais aos cristãos, que Deus arrancou, não do cativeiro do Egito, mas da região do pecado e do poder das trevas, e transferiu-os para o Reino de Seu amado Filho (cf. Cl 1, 13) (Cat. Rom, p. III, c. II, §1)”.
Sua bondade para conosco: Assim diz o profeta Jeremias ao fazer a seguinte profecia: “Eis que chegarão os dias, diz o Senhor, e não se dirá: vive o Senhor, que tirou os filhos de Israel da terra do Egito; mas, sim, Vive o Senhor, que tirou os filhos de Israel da terra do Norte, e de todos os países em que Eu os havia lançado. Eu hei de leva-los novamente à sua terra, que havia sido dada a seus pais. Eis que mandarei muitos pescadores, diz o Senhor e eles os pescarão, etc (cf. Jr 16, 14ss)". Assim conclui o Catecismo: “Realmente, em Sua misericórdia infinita, o Pai congregou numa só família, por mediação de Seu Filho, todos os filhos que se achavam dispersos (cf. Jo 11, 52), para que já não sendo escravos do pecado, mas servidores da justiça (cf. Rm 6, 18) (Cat. Rom., p. III, c. II, §1)".
Nossa obrigação de morrer para o pecado: Como conclusão, para que fosse feita a devida adoração a Deus que prestaram os três Reis Magos, foi necessário que eles dessem os presentes a quem eles o reconheceram como Senhor (cf. Mt 2, 11). Assim o ouro, representa toda a nossa gratidão externa daquilo que de melhor nós temos, assim como outrora os judeus ofereciam em holocausto os animais mais puros que possuíam; o incenso significa a oração, ou seja, a nossa súplica interior na qual manifestamos com toda a nossa alma a gratidão que nós temos para com Ele; e a mirra representa a mortificação dos nossos vícios, pois uma vez reconhecendo a adoração devida à Deus exteriormente e interiormente, reconhecemos nossas faltas para que possamos pertencer Àquele que por nós morreu e ressuscitou (cf. 2Cor 5, 15).
LAUS DEO MARIAEQUE!
Eduardo Gomes
sábado, 3 de janeiro de 2009
Catequese e Liturgia – Festa da Circuncisão do Senhor (dia 01/01)

“Depois que se completaram os oito dias para ser circuncidado o Menino, foi-Lhe posto o nome de Jesus, como Lhe tinha chamado o Anjo, antes que fosse concebido no ventre materno (Lc 2, 21)”
O Evangelho de hoje fala da circuncisão de Jesus no templo e a imposição de seu nome. Segundo a Lei de Moisés, todos os varões (meninos) após o seu oitavo dia de nascimento, eram consagrados no templo e recebiam a circuncisão, que era um rito de purificação.
Nascido da Virgem Maria e feito sujeito a Lei, Cristo quis ser circuncidado como exemplo de obediência aos preceitos sejam religiosos ou sociais, e mostrar a importância de nos despojarmos do homem velho e purificar das nossas faltas. A circuncisão do Antigo Testamento é apresentada como figura do Sacramento do Batismo na qual o homem havia de ser espiritualmente circuncidado conforme afirma o Apóstolo: “No qual (em Cristo) também estais circuncidado de circuncisão não feita por mão de homens, mas com a circuncisão de Cristo, que consiste no despojamento de nosso ser carnal (cf. Col 2, 11)”.
Assim para o Evangelho de hoje, a catequese irá expor os efeitos dos Sacramentos da Nova Aliança.
Ensina o Catecismo (Cat. Rom, p. II, c. I, §21-25) que dois são os efeitos dos Sacramentos: A graça santificante e o caráter indelével.
A graça santificante: A santificação, ou a justificação (no dizer dos teólogos) é o efeito mais importante do Sacramento, pois todos os sete instituídos tem esse efeito como principal ou até único. O Sacramento é definido como “sinal de uma graça invisível, instituído para a nossa justificação (Denzinger. Enchridion Symbolorum, n. 876. Conc. Tridentino, sessão 13, cap. 3)”, e por isso no dizer de Santo Agostinho, “a água banha o corpo, para purificar o coração (Aug. Tract. In Ioan 80, 3)”, constitui um mistério que o engenho humano não poderá jamais desvendar. Portanto, conclui o Catecismo: “certo é que, por virtude da própria natureza, nenhuma coisa sensível pode atingir a alma. Pela luz da fé, sabemos todavia, que nos Sacramentos se põe em ação a virtude de Deus Todo-Poderoso; e que por essa incapazes, por sua própria natureza (Cat. Rom., p. II, c. I, §21)”.
O caráter indelével: Adverte o Catecismo (Cat. Rom, p. II, c. I, §24) de que este efeito não é comum a todos os Sacramentos, mas somente a três: do Batismo, da Confirmação (Crisma) e da Ordem. Pois consiste no caráter que imprime na alma e conserva para sempre (cf. Denzinger, n. 852): “Foi Deus que nos ungiu, quem nos marcou com o Seu selo, e pôs em nossos corações o penhor do Espírito (2Cor 1, 21ss)”. Santo Agostinho faz a seguinte comparação sobre o caráter indelével: “Terão os Sacramentos cristãos menos valor, do que a marca que o soldado recebe? Quando um soldado desertor volta às fileiras, não se lhe imprime nova marca, porque a antiga serve de sinal para conhecer e identificar (Aug. Tract. In Ion 6)”. Assim, pelo seu caráter indelével trás para nós uma dupla finalidade, conforme nos ensina o Catecismo (Cat. Rom., p. II, c. I, §25):
- Recepção ou exercício dos Santos Mistérios: O Sacramento do Batismo, por ser o Sacramento da regeneração é o único que nos dá acesso os demais Sacramentos e a exercitar os Santos Mistérios.
- Distintivo entre os Cristãos: o Sacramento do Batismo, assim como o da Confirmação e o da Ordem faz com que nos distinga dos pagãos e dos que não professam a fé: “O caráter da Confirmação nos arma soldados de Cristo; apresta-nos para anunciar e defender o Seu nome, para lutar contra o inimigo em nosso interior, e contra os espíritos malignos nas alturas (cf. Ef 6, 12); distingue-nos ao mesmo tempo, dos neo-batizados que são ainda, por assim dizer, criancinhas recém nascidas(cf. 1Pd 2, 2). O caráter da Ordem confere o poder de fazer e administrar os Sacramentos, e distingue dos outros fiéis os detentores de tal poder (Cat. Rom., p. II, c. I, §25)”
Portanto, vemos a grandeza que são os efeitos do Sacramentos da Nova Aliança comparados com o da Antiga Aliança, que são somente figuras do primeiro, que tem como efeito a graça santificante. Como diz o Apóstolo, estes eram “elementos fracos e pobres (cf. Gl 4, 9)". Por isso que se diz que os Sacramentos da Antiga Aliança são figuras da Nova, mostrando apenas visivelmente os seus efeitos, que na Nova Aliança produziria por meio de sinais sensíveis aquilo que acontece invisívelmente.
LAUS DEO MARIAEQUE!
Eduardo Gomes
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
A conceição de Cristo

O Catecismo (Cat. Rom., p. I, c. IV, §4) nos ensina que no mistério da conceição de Cristo, alguns elementos superam a ordem da natureza e que outros lhe são conformes. Assim o caráter da conceição de Cristo é analisado tanto em seu aspecto natural e sobrenatural. Neste mistério temos aprendemos uns dos frutos da Encarnação do Verbo, que é a consciência da nossa dignidade, na qual Deus em sua soberania sobre nós em nada contrariou a nossa natureza, e se fez Homem como nós, sujeito à lei.
Aspecto sobrenatural: No instante em que a Bem-Aventurada Virgem Maria consentiu em fazer-se escrava do Senhor (cf. Lc 1, 38), “começou a formar-se o santíssimo Corpo de Cristo, ao qual se uniu uma alma dotada de inteligência, de sorte que, no mesmo instante, o Deus perfeito se tornou perfeito homem (cf. Denzinger. Enchridion Symbolorum, n. 144 e 422)”. Assim, quanto ao corpo, foi obra do Espírito Santo; e quanto à divindade, logo que assim a alma se uniu ao corpo, também a Divindade se uniu ao corpo e a alma. Esse mistério sobrenatural é chamado de união hipostática, donde ensina a fé que em Cristo há uma só Pessoa (2ª Pessoa da Santíssima Trindade) e duas naturezas (Divina e Humana): “O Verbo, que é uma Pessoa (em latim: Hypostasis) da natureza divina, assumiu de tal forma a natureza humana que uma e a mesma Pessoa é o ‘suporte’ (hipóstase) das naturezas divina e humana (Cat. Rom., p. I, c. IV, §2)”.
Aspecto natural: Sobre este aspecto, logo após a milagrosa conceição, o Corpo de Cristo se formou da carne e do sangue de sua Mãe, na qual por lei natural todo o corpo humano se forma do sangue materno.
Portanto, por meio desta admirável conceição de Cristo, onde a natureza divina se uniu com a natureza humana, se conservaram as operações e propriedades de uma e outra natureza. Sobre estes aspectos, temos como conseqüência a Maternidade Divina de Maria, porque no mesmo instante concebia a Deus e ao Homem.
LAUS DEO MARIAEQUE!
Eduardo Gomes
