
“Depois que se completaram os oito dias para ser circuncidado o Menino, foi-Lhe posto o nome de Jesus, como Lhe tinha chamado o Anjo, antes que fosse concebido no ventre materno (Lc 2, 21)”
O Evangelho de hoje fala da circuncisão de Jesus no templo e a imposição de seu nome. Segundo a Lei de Moisés, todos os varões (meninos) após o seu oitavo dia de nascimento, eram consagrados no templo e recebiam a circuncisão, que era um rito de purificação.
Nascido da Virgem Maria e feito sujeito a Lei, Cristo quis ser circuncidado como exemplo de obediência aos preceitos sejam religiosos ou sociais, e mostrar a importância de nos despojarmos do homem velho e purificar das nossas faltas. A circuncisão do Antigo Testamento é apresentada como figura do Sacramento do Batismo na qual o homem havia de ser espiritualmente circuncidado conforme afirma o Apóstolo: “No qual (em Cristo) também estais circuncidado de circuncisão não feita por mão de homens, mas com a circuncisão de Cristo, que consiste no despojamento de nosso ser carnal (cf. Col 2, 11)”.
Assim para o Evangelho de hoje, a catequese irá expor os efeitos dos Sacramentos da Nova Aliança.
Ensina o Catecismo (Cat. Rom, p. II, c. I, §21-25) que dois são os efeitos dos Sacramentos: A graça santificante e o caráter indelével.
A graça santificante: A santificação, ou a justificação (no dizer dos teólogos) é o efeito mais importante do Sacramento, pois todos os sete instituídos tem esse efeito como principal ou até único. O Sacramento é definido como “sinal de uma graça invisível, instituído para a nossa justificação (Denzinger. Enchridion Symbolorum, n. 876. Conc. Tridentino, sessão 13, cap. 3)”, e por isso no dizer de Santo Agostinho, “a água banha o corpo, para purificar o coração (Aug. Tract. In Ioan 80, 3)”, constitui um mistério que o engenho humano não poderá jamais desvendar. Portanto, conclui o Catecismo: “certo é que, por virtude da própria natureza, nenhuma coisa sensível pode atingir a alma. Pela luz da fé, sabemos todavia, que nos Sacramentos se põe em ação a virtude de Deus Todo-Poderoso; e que por essa incapazes, por sua própria natureza (Cat. Rom., p. II, c. I, §21)”.
O caráter indelével: Adverte o Catecismo (Cat. Rom, p. II, c. I, §24) de que este efeito não é comum a todos os Sacramentos, mas somente a três: do Batismo, da Confirmação (Crisma) e da Ordem. Pois consiste no caráter que imprime na alma e conserva para sempre (cf. Denzinger, n. 852): “Foi Deus que nos ungiu, quem nos marcou com o Seu selo, e pôs em nossos corações o penhor do Espírito (2Cor 1, 21ss)”. Santo Agostinho faz a seguinte comparação sobre o caráter indelével: “Terão os Sacramentos cristãos menos valor, do que a marca que o soldado recebe? Quando um soldado desertor volta às fileiras, não se lhe imprime nova marca, porque a antiga serve de sinal para conhecer e identificar (Aug. Tract. In Ion 6)”. Assim, pelo seu caráter indelével trás para nós uma dupla finalidade, conforme nos ensina o Catecismo (Cat. Rom., p. II, c. I, §25):
- Recepção ou exercício dos Santos Mistérios: O Sacramento do Batismo, por ser o Sacramento da regeneração é o único que nos dá acesso os demais Sacramentos e a exercitar os Santos Mistérios.
- Distintivo entre os Cristãos: o Sacramento do Batismo, assim como o da Confirmação e o da Ordem faz com que nos distinga dos pagãos e dos que não professam a fé: “O caráter da Confirmação nos arma soldados de Cristo; apresta-nos para anunciar e defender o Seu nome, para lutar contra o inimigo em nosso interior, e contra os espíritos malignos nas alturas (cf. Ef 6, 12); distingue-nos ao mesmo tempo, dos neo-batizados que são ainda, por assim dizer, criancinhas recém nascidas(cf. 1Pd 2, 2). O caráter da Ordem confere o poder de fazer e administrar os Sacramentos, e distingue dos outros fiéis os detentores de tal poder (Cat. Rom., p. II, c. I, §25)”
Portanto, vemos a grandeza que são os efeitos do Sacramentos da Nova Aliança comparados com o da Antiga Aliança, que são somente figuras do primeiro, que tem como efeito a graça santificante. Como diz o Apóstolo, estes eram “elementos fracos e pobres (cf. Gl 4, 9)". Por isso que se diz que os Sacramentos da Antiga Aliança são figuras da Nova, mostrando apenas visivelmente os seus efeitos, que na Nova Aliança produziria por meio de sinais sensíveis aquilo que acontece invisívelmente.
LAUS DEO MARIAEQUE!
Eduardo Gomes


