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sábado, 3 de janeiro de 2009

Catequese e Liturgia – Festa da Circuncisão do Senhor (dia 01/01)





“Depois que se completaram os oito dias para ser circuncidado o Menino, foi-Lhe posto o nome de Jesus, como Lhe tinha chamado o Anjo, antes que fosse concebido no ventre materno (Lc 2, 21)”

O Evangelho de hoje fala da circuncisão de Jesus no templo e a imposição de seu nome. Segundo a Lei de Moisés, todos os varões (meninos) após o seu oitavo dia de nascimento, eram consagrados no templo e recebiam a circuncisão, que era um rito de purificação.
Nascido da Virgem Maria e feito sujeito a Lei, Cristo quis ser circuncidado como exemplo de obediência aos preceitos sejam religiosos ou sociais, e mostrar a importância de nos despojarmos do homem velho e purificar das nossas faltas. A circuncisão do Antigo Testamento é apresentada como figura do Sacramento do Batismo na qual o homem havia de ser espiritualmente circuncidado conforme afirma o Apóstolo: “No qual (em Cristo) também estais circuncidado de circuncisão não feita por mão de homens, mas com a circuncisão de Cristo, que consiste no despojamento de nosso ser carnal (cf. Col 2, 11)”.
Assim para o Evangelho de hoje, a catequese irá expor os efeitos dos Sacramentos da Nova Aliança.
Ensina o Catecismo (Cat. Rom, p. II, c. I, §21-25) que dois são os efeitos dos Sacramentos: A graça santificante e o caráter indelével.

A graça santificante: A santificação, ou a justificação (no dizer dos teólogos) é o efeito mais importante do Sacramento, pois todos os sete instituídos tem esse efeito como principal ou até único. O Sacramento é definido como “sinal de uma graça invisível, instituído para a nossa justificação (Denzinger. Enchridion Symbolorum, n. 876. Conc. Tridentino, sessão 13, cap. 3)”, e por isso no dizer de Santo Agostinho, “a água banha o corpo, para purificar o coração (Aug. Tract. In Ioan 80, 3)”, constitui um mistério que o engenho humano não poderá jamais desvendar. Portanto, conclui o Catecismo: “certo é que, por virtude da própria natureza, nenhuma coisa sensível pode atingir a alma. Pela luz da fé, sabemos todavia, que nos Sacramentos se põe em ação a virtude de Deus Todo-Poderoso; e que por essa incapazes, por sua própria natureza (Cat. Rom., p. II, c. I, §21)”.

O caráter indelével: Adverte o Catecismo (Cat. Rom, p. II, c. I, §24) de que este efeito não é comum a todos os Sacramentos, mas somente a três: do Batismo, da Confirmação (Crisma) e da Ordem. Pois consiste no caráter que imprime na alma e conserva para sempre (cf. Denzinger, n. 852): “Foi Deus que nos ungiu, quem nos marcou com o Seu selo, e pôs em nossos corações o penhor do Espírito (2Cor 1, 21ss)”. Santo Agostinho faz a seguinte comparação sobre o caráter indelével: “Terão os Sacramentos cristãos menos valor, do que a marca que o soldado recebe? Quando um soldado desertor volta às fileiras, não se lhe imprime nova marca, porque a antiga serve de sinal para conhecer e identificar (Aug. Tract. In Ion 6)”. Assim, pelo seu caráter indelével trás para nós uma dupla finalidade, conforme nos ensina o Catecismo (Cat. Rom., p. II, c. I, §25):
- Recepção ou exercício dos Santos Mistérios: O Sacramento do Batismo, por ser o Sacramento da regeneração é o único que nos dá acesso os demais Sacramentos e a exercitar os Santos Mistérios.
- Distintivo entre os Cristãos: o Sacramento do Batismo, assim como o da Confirmação e o da Ordem faz com que nos distinga dos pagãos e dos que não professam a fé: “O caráter da Confirmação nos arma soldados de Cristo; apresta-nos para anunciar e defender o Seu nome, para lutar contra o inimigo em nosso interior, e contra os espíritos malignos nas alturas (cf. Ef 6, 12); distingue-nos ao mesmo tempo, dos neo-batizados que são ainda, por assim dizer, criancinhas recém nascidas(cf. 1Pd 2, 2). O caráter da Ordem confere o poder de fazer e administrar os Sacramentos, e distingue dos outros fiéis os detentores de tal poder (Cat. Rom., p. II, c. I, §25)”

Portanto, vemos a grandeza que são os efeitos do Sacramentos da Nova Aliança comparados com o da Antiga Aliança, que são somente figuras do primeiro, que tem como efeito a graça santificante. Como diz o Apóstolo, estes eram “elementos fracos e pobres (cf. Gl 4, 9)". Por isso que se diz que os Sacramentos da Antiga Aliança são figuras da Nova, mostrando apenas visivelmente os seus efeitos, que na Nova Aliança produziria por meio de sinais sensíveis aquilo que acontece invisívelmente.





LAUS DEO MARIAEQUE!
Eduardo Gomes

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

A conceição de Cristo





“...Que foi concebido pelo poder do Espírito Santo”

O Catecismo (Cat. Rom., p. I, c. IV, §4) nos ensina que no mistério da conceição de Cristo, alguns elementos superam a ordem da natureza e que outros lhe são conformes. Assim o caráter da conceição de Cristo é analisado tanto em seu aspecto natural e sobrenatural. Neste mistério temos aprendemos uns dos frutos da Encarnação do Verbo, que é a consciência da nossa dignidade, na qual Deus em sua soberania sobre nós em nada contrariou a nossa natureza, e se fez Homem como nós, sujeito à lei.

Aspecto sobrenatural: No instante em que a Bem-Aventurada Virgem Maria consentiu em fazer-se escrava do Senhor (cf. Lc 1, 38), “começou a formar-se o santíssimo Corpo de Cristo, ao qual se uniu uma alma dotada de inteligência, de sorte que, no mesmo instante, o Deus perfeito se tornou perfeito homem (cf. Denzinger. Enchridion Symbolorum, n. 144 e 422)”. Assim, quanto ao corpo, foi obra do Espírito Santo; e quanto à divindade, logo que assim a alma se uniu ao corpo, também a Divindade se uniu ao corpo e a alma. Esse mistério sobrenatural é chamado de união hipostática, donde ensina a fé que em Cristo há uma só Pessoa (2ª Pessoa da Santíssima Trindade) e duas naturezas (Divina e Humana): “O Verbo, que é uma Pessoa (em latim: Hypostasis) da natureza divina, assumiu de tal forma a natureza humana que uma e a mesma Pessoa é o ‘suporte’ (hipóstase) das naturezas divina e humana (Cat. Rom., p. I, c. IV, §2)”.

Aspecto natural: Sobre este aspecto, logo após a milagrosa conceição, o Corpo de Cristo se formou da carne e do sangue de sua Mãe, na qual por lei natural todo o corpo humano se forma do sangue materno.

Portanto, por meio desta admirável conceição de Cristo, onde a natureza divina se uniu com a natureza humana, se conservaram as operações e propriedades de uma e outra natureza. Sobre estes aspectos, temos como conseqüência a Maternidade Divina de Maria, porque no mesmo instante concebia a Deus e ao Homem.





LAUS DEO MARIAEQUE!
Eduardo Gomes

sábado, 27 de dezembro de 2008

Catequese e Liturgia – Domingo dentro da Oitava de Natal / Oitava de Natal (dia 30/12)




*A liturgia da Oitava de Natal é substituída pela do Domingo dentro da Oitava do Natal quando o Natal cair ao Domingo, ou quando o Domingo dentro da Oitava cair nos dias 26, 27, 28 ou 30 de dezembro (cf. Missal Romano Tradicional)*


Evangelho do dia: Lc 2, 33-40
“Uma espada transpassará a tua própria alma (Lc 2, 35)”

O Evangelho de hoje fala da apresentação de Jesus no templo para receber a circuncisão, conforme prescrevia a Lei de Moisés. De acordo com a explicação do 4º domingo do Advento sobre os Sacramentos (conforme artigo no blog:
http://ascese-noturna.blogspot.com/2008/12/catequese-e-liturgia-quarto-domingo-do.html. Postado em 21/12/2008 às 17:11hs) – em especial sobre o Batismo –, vimos que a circuncisão era apenas uma figura do Sacramento do Batismo da Nova Aliança, cujo efeitos deste último é a santificação da alma. No entanto, durante a vida, Nosso Senhor passará por diversas provações, na qual atesta o profeta Simeão: “Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições, a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua própria alma (Lc 2, 34-35)”.
Com esta lição aprendemos que apesar da vinda do Verbo de Deus a esta terra e fazer-se homem, manifestando a nós a plena alegria daquele que veio para salvar a todos, percebemos que desde o instante de seu nascimento na pobre gruta de Belém, em plena noite fria, rodeada por dois animais (o Boi e o Burro), estava previsto o quanto Jesus sofreria desde o instante de seu nascimento. Com isso, a catequese de hoje exporá os efeitos do Sacramento do Batismo, que apesar de limpa-nos da mancha de todo o pecado seja o original, seja o atual, não nos tira as conseqüências deste mesmo, que é a chama da concupiscência, como também as provações que passaremos nesta vida e o por quê que Deus não nos livra dos males da vida.

Efeitos do Batismo:
O Sacramento do Batismo, também conhecido como o Sacramento da regeneração, tem como efeito a isenção dos males, onde somos plenamente remidos do pecado original, na qual toda a natureza humana está manchada e sujeita a seus efeitos, como também do pecado atual que cometemos deliberadamente (Cat. Rom, p. II, c. II, §41-48). Também este Sacramento tem como efeito a Dotação de bens, onde recebemos a Graça santificante, as virtudes infusas (as sobrenaturais ou teologais: Fé, Esperança e Caridade), inserção no Corpo de Cristo e impressão do caráter batismal que jamais se apagará da nossa alma, mesmo se cairmos no mais grave dos pecados (Cat. Rom, p. II, c. II, §49-52).
Contudo, o Sacramento do Batismo não tira a concupiscência ou aguilhão do pecado.
A concupiscência não é pecado no rigor da palavra, mas que procede do pecado e ao pecado inclina. Santo Agostinho também dizia: “a culpa {resultante} da concupiscência, para as exercer na luta (August. De peccat. Merit. et remiss. 2, 4)”; “No Batismo, destrói-se a culpa {provinda} da concupiscência, mas persiste a fragilidade (August. Retract. 1, 15, 2)”. O Concílio tridentino, ao anatematizar o protestantismo, define a concupiscência: “Esta concupiscência que alguma vez o Apóstolo chama pecado (cf. Rm 6, 12), declara o Santo Concílio que a Igreja Católica nunca entendeu como pecado porque seja verdadeira e propriamente pecado nos renascidos, senão porque procede do pecado e ao pecado inclina (Denzinger. Enchiridion Symbolorum, n. 792. Concílio Tridentino, Sessão V)”. Assim conclui o Catecismo: “Com efeito, a concupiscência vem do pecado, mas em si não é outra coisa senão um apetite da alma que, por sua natureza, repugna à razão. Porém seus movimentos não envolvem nenhuma malícia de pecado, contanto que a vontade não consinta neles, nem se deixe arrastar por qualquer negligência (Cat. Rom., p. II, c. II, §42)”.
Portanto, o Batismo não nos limpa dos sofrimentos que haveremos de sofrer nesta vida, nem tampouco, conforme observa o Catecismo (Cat. Rom., p. II, c. II, §47), nos restitiu o dom de integridade (dom preternatural) em que se achava Adão em seu estado de justiça original. Eis as seguintes razões:
a) Porque Cristo quis tolerar: Cristo desde o instante de sua conceição esteve sujeito a toda condição que o homem encontrava e dela não se despojou a ponto de sofrer os tormentos da Paixão e da morte para que por meio dela fossemos remidos. Portanto conclui o Catecismo: “Não é, pois de admirar que os fiéis, não obstante a justificação pela graça do Batismo, continuem num corpo fraco e mortal; pois terão de sofrer muitos trabalhos por amor a Cristo, de passar pela morte e de ressurgir para uma vida nova, antes de serem dignos, afinal, de desfrutar com Cristo a eterna bem-aventurança (Cat. Rom., p. II, c. II, §47)".
b) Porque nos dão ocasiões de virtude: Todos os sofrimentos servem como de sementeira de virtudes, donde por meio deles colheremos os maiores frutos e lição para a nossa vida, conforme ensina o Catecismo: “Realmente, levando com paciência os sofrimentos da vida; submetendo, com o auxílio de Deus, nossos baixos instintos ao império da razão, podemos seguramente confiar que, se houvermos combatido o bom combate, consumado a carreira, conservando a fé, como fez o Apóstolo (cf. 2Tm 4, 7ss): 'Nosso Senhor, que é juiz, dar-nos-á naquele dia da retribuição a coroa da justiça, que também nos está preparada' (Cat. Rom., p. II, c. II, §47)”.
c) Porque excluem nos neófitos motivos inconfessáveis: Se o Batismo conferisse bens para o corpo, muitos procurariam não pela vantagem da vida futura, e sim somente a vantagem na vida presente: “O Cristão não deve ter na mente os bens falsos e incertos que aparecem aos olhos, senão os eternos e verdadeiros, que não se podem ver (cf. 2Cor 4, 18, apud. Cat. Rom, p. II, c. II, §47)”.
d) Porque o cristão é consolado nos sofrimentos: Ao mesmo tempo que encontramos a dor nesta vida, encontramos a alegria pelas consolações que Deus nos dá, a ponto de dar-nos alegria de tomar a cruz aos ombros, e seguir o Divino Chefe.
Portanto, conclui o Catecismo: “uns irão receber de Nosso Senhor a coroa da virgindade (cf. Ap. 14, 4), outros, a láurea de mestres e pregadores (cf. Dn 12, 3), outros, a palma do martírio (Ap 6, 9; 7, 13-17), outros enfim, a remuneração que corresponde às suas virtudes (ex: a todos os fiéis que cumprirem conforme o dever de estado, seja na famíia, profissão, etc). Contudo, nenhum de nós seria agraçciado com tais honras e distinções, se antes não nos adestrássemos na arena das tribulações da vida, e não saíssemos vencedores no campo de batalha (Cat. Rom, p. II, c. II, §48)”.





LAUS DEO MARIAEQUE!
Eduardo Gomes

A pessoa de Jesus Cristo

“E em Jesus Cristo, seu único Filho e Nosso Senhor (Símbolo dos Apóstolos)”

Sobre a Pessoa de Jesus Cristo, o Depósito Sagrado (Sagrada Escritura e Tradição) contido resumidamente nos símbolo dos apóstolos e explanados tanto no Catecismo quanto no Magistério da Igreja, nos ensina que Jesus Cristo é o Filho Único de Deus e Nosso Senhor.
Conforme explicação contida especialmente no Símbolo Niceno-Constantinopolitano (também no Símbolo de Santo Atanásio ou “Quicumque”), há em Jesus Cristo dois nascimentos:
- O nascimento desde toda a eternidade: “Em um só Senhor Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos...”.
- O nascimento no tempo: “E encarnou por obra do Espírito Santo no seio da Virgem Maria, se fez homem”.
O Catecismo e o Símbolo mencionam somente esses dois nascimentos, pois justamente sustenta os dois mistérios mais profundos da nossa fé, que é a crença na Santíssima Trindade e na Encarnação do Verbo de Deus no tempo. Em Jesus Cristo também há um terceiro nascimento, que acontece em nós, na qual ao crermos firmemente em suas palavras, Ele nasce espiritualmente em nós (ver explicação Pe. Garrigou-Lagrange O. P. Os três nascimentos do verbo. Contido em:
http://ascese-noturna.blogspot.com/2008/12/os-trs-nascimentos-do-verbo-pe-reginald.html. Postado em 25/12/2008 às 7:21hs).
Sobre a filiação de Nosso Senhor, o Catecismo nos ensina a observar três considerações sobre Ele:
1. Filho único de Deus: A Sagrada Escritura está cheia de passagens na qual nos ensina a crer firmemente que Jesus Cristo é o Filho Único de Deus e que se não crermos, não há como Ele permanecer em nós e nós Nele (cf. 1Jo 4, 15). Assim também, o próprio Cristo havia perguntado aos seus Apóstolos “quem sou eu? (cf. Mt 16, 15)” e em seguida confirmou o testemunho de Pedro que havia dito ser “o Cristo, Filho de Deus vivo! (Mt 16, 16)": “Não foi a carne e nem o sangue que revelou isto, mas meu Pai que está nos céus (Mt 16, 17)”. Assim Jesus Cristo é:
a) De igual natureza com as outras pessoas: Há muitos trechos que a Sagrada Escritura nos ensina, mas nenhum é mais claro como o Prólogo do Evangelho de São João: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus (cf. Jo 1, 1)”. Assim conclui o Catecismo: “... confessamos que é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, perfeitamente igual às duas outras Pessoas Divinas. Nenhuma desigualdade ou diferença pode haver, ou imaginar-se nas três Pessoas divinas, porque em todas elas reconhecemos a existência de uma só natureza, de uma só vontade, de um só poder (Cat. Rom., p. I, c. III, §8)”.
b) Gerado desde toda a eternidade: Sobre este ponto, o Catecismo nos adverte que “não nos ponhamos a imaginar que em Sua geração exista algo de terreno ou mortal (Cat. Rom., p. I, c. III, §8)”. Esse é um artigo de fé, um mistério na qual Cristo revelou ao falar de si mesmo: “O ato pelo qual o Pai gera o Filho desde toda a eternidade, não podemos absolutamente perceber com a inteligência, e muito menos compeênde-lo de maneira adequada. Devemos no entanto, acredita-lo com firmeza, e adora-lo com a maior devoção de nossa alma (op. cit., §8)". Assim define o símbolo Niceno-constantinopolitano: “...Gerado, não criado...”.
c) Consubstancial ao Pai: Por ser gerado desde toda a eternidade conforme exposto anteriormente, resta-nos dizer que a fé nos ensina que “o Filho tem a mesma natureza, o mesmo poder, a mesma sabedoria que o Pai (Cat. Rom., p. I, c. III, §8)”.


2. Filho do Homem: Ao explicar sobre Jesus como Filho Único de Deus, mostramos que Jesus é Verdadeiro Deus. Mas Cristo por Sua Encarnação é Verdadeiro Homem, pois a Encarnação não foi feita no Pai e nem no Espírito Santo (ainda que tenha sido obra comum das Três Pessoas Divinas e atribuída ao Espírito Santo), senão no Filho somente, que na humanidade fora Filho do Homem, Homem Verdadeiro da mãe, tendo verdadeira carne da mãe, e alma humana racional, juntamente de uma outra natureza, quer dizer, Deus e homem, uma só Pessoa, um só Filho, um só Cristo (cf. Denzinger. Enchiridion Symbolorum, n. 422. Ver também n. 257, 285, 708 e 993).
3. Nosso Criador e nosso Irmão: Por ser Cristo uma Pessoa Divina, não somos mais do que obras de suas mãos, e, portanto Cristo, por sua geração divina, não possui co-herdeiro por ser Ele o Filho Único. Mas por Sua origem humana, Cristo dá a muitos o nome de “irmãos” e trata-o como tais. O Apóstolo demonstra o motivo que Cristo o chamava de irmãos: “Aquele para quem oe por quem todas as coisas existem, desejando conduzir à glória numerosos filhos, deliberou elevar à perfeição, pelo sofrimento, o autor da salvação deles, para que santificador e santificados formem um só todo. Por isso (Jesus) não hesita em chamá-los seus irmãos (Hb 2, 10-11)”. E o mesmo conclui: “Veio em socorro, não dos anjos, e sim da raça de Abraão; e por isso convinha que ele se tornasse em tudo semelhante aos seus irmãos, para ser um pontífice compassivo e fiel no serviço de Deus, capaz de expiar os pecados do povo (Hb 2, 16-17)”. Em outra passagem, o Apóstolo também chamou de “Primogênito entre muitos irmãos (Rm 8, 29)”. Portanto, o Catecismo ensina: “os irmãos são aqueles que pela fé receberam a Cristo Nosso Senhor (cf. Lc 8, 21; Jo 1, 12-13), e por obras de caridade comprovam a fé e professam de boca (Cat. Rom, p. I, c. III, §9)”.





CHRISTUS VINCIT, CHRISTUS REGNAT, CHRISTUS IMPERAT!
LAUS DEO MARIAEQUE!
Eduardo Gomes

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Significação de Cristo

“O Espírito do Senhor está sobre Mim, porque o Senhor Me ungiu, e Me enviou para pregar aos que são mansos (Is 61, 1)”

Ao ser imposto sobre o Verbo de Deus o nome de Jesus, acrescentou o apelido de “Cristo”, que quer dizer “Ungido”. A expressão serve para designar uma dignidade e um ministério, independente das funções a serem exercidas.

No Antigo Testamento, eram chamados “cristos” os sacerdotes e os reis, que eram ordenados por Deus para que fossem ungidos, em atenção à dignidade de seu ministério.
Os sacerdotes são aqueles que por meio de assíduas preces, recomendam o povo a Deus. São eles que oferecem sacrifícios a Deus, e aplicam pelo povo o poder de sua intercessão, conforme observa as seguintes passagens da Sagrada Escritura, quando Deus diz a Aarão a função que ele e tua família exercerá: “Tu, teus filhos e tua família contigo, levareis a responsabilidade dos pecados cometidos no santuário. Tu e teus filhos contigo, levareis a responsabilidade dos pecados cometidos em vosso sacerdócio (cf. Nm 18, 1. Ver também outras passagens: Sb 18, 20-25; no Novo Testamento, o Apóstolo resume perfeitamente a função dos sacertodes, cf. Hb 5, 1-14)”.
Os reis, porém, está a confiado o governo dos povos. Seu dever primordial é salvaguardar a autoridade das leis, proteger a vida dos inocentes, e punir a audácia dos criminosos.
Ambos os ministérios são uma imagem da majestade de Deus, aqui na Terra. Por isso os que eram eleitos eram ungidos com o óleo santo (cf. 1Sm 10, 1; Ex 30, 30).
Também os profetas eram ungidos ao ser escolhidos para serem mensageiros de Deus, exortavam o povo à regeneração dos costumes, ao revelar os segredos do céu e prever o futuro.

No Novo Testamento, Nosso Salvador foi chamado de Cristo pelo tríplice encargo de profeta, sacerdote e rei. Conforme observa o Catecismo: “Não foi obra dobra de nenhum mortal, mas pela virtude do Pai Celeste. Não foi com uma unção de óleo terrestre, mas de óleo espiritual, quando em Sua Alma santíssima se derramaram a graça, a plenitude e os dons do Espírito Santo, em tal superabundância que nenhuma outra criatura a poderia jamais comportar (Cat. Rom., p. I, c. III, §7)”. Portanto, Cristo foi ungido pelo Espírito Santo:
a) Como sumo profeta: É o que prediz o profeta Isaiás da boa nova que haveria de anunciar: “O Espírito do Senhor está sobre Mim, porque o Senhor Me ungiu, e Me enviou para pregar aos que são mansos (Is 61, 1)”. Portanto, observa o Catecismo: “Cabe-lhe o nome de Profeta com maior glória e distinção, porquanto não passavam de discípulos Seus todos aqueles que {anteriormente} tiveram a honra desse nome, e que não foram enviados senão para anunciar o Profeta por excelência, que viria salvar todos os homens (Cat. Rom., p. I, c. III, §7)”.
b) Eterno sacerdote: Conforme a exaltação do profeta Davi: “Vós sois sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedec (cf. Sl 109, 4)”; e a explicação do Apóstolo: “Assim também Cristo não se atribuiu a si mesmo a glória de ser pontífice. Esta lhe foi dada por aquele que lhe disse: ‘Tu és meu Filho, eu hoje te gerei (Sl 2, 7)’ (cf. Hb 5, 5)”.
c) Rei universal: “Há de reinar eternamente na casa de Jacó, e Seu reino não terá fim (cf. Lc 1, 32)”. Portanto, ensina o Catecismo: “Cristo é Rei, não só como Deus, mas também enquanto Homem, participante da nossa natureza (Cat. Rom., p. I, c. III, §7)”. O reinado de Cristo é espiritual e eterno. Começa na terra e termina no céu. Enquanto o reino de Cristo caminha neste mundo, seu domínio é a Igreja, na qual estão inseridos todos os seus fiéis que professam um só Rei e Senhor e recebem os mesmos sacramentos, independente se são homens bons ou maus. Também seu reinado se estende ao mundo inteiro, porque por sua união hipostática (união de sua natureza divina com a natureza humana), Ele podia comportar de poder, grandeza e dignidade. Portanto, Ele é o Senhor de todas as coisas visíveis e invisíveis (cf. Credo de Nicéia e Constantinopla). Portanto, conclui o Catecismo: “Cristo já começou a dominar, mas só no dia do Juízo é que todas as coisas se curvarão plena e incondicionalmente, à Sua autoridade (Cat. Rom., p. I, c. III, §7)”.





CHRISTUS VINCIT, CHRISTUS REGNAT, CHRISTUS IMPERAT!
LAUS DEO MARIAEQUE!
Eduardo Gomes