
*A liturgia da Oitava de Natal é substituída pela do Domingo dentro da Oitava do Natal quando o Natal cair ao Domingo, ou quando o Domingo dentro da Oitava cair nos dias 26, 27, 28 ou 30 de dezembro (cf. Missal Romano Tradicional)*
Evangelho do dia: Lc 2, 33-40
“Uma espada transpassará a tua própria alma (Lc 2, 35)”
O Evangelho de hoje fala da apresentação de Jesus no templo para receber a circuncisão, conforme prescrevia a Lei de Moisés. De acordo com a explicação do 4º domingo do Advento sobre os Sacramentos (conforme artigo no blog: http://ascese-noturna.blogspot.com/2008/12/catequese-e-liturgia-quarto-domingo-do.html. Postado em 21/12/2008 às 17:11hs) – em especial sobre o Batismo –, vimos que a circuncisão era apenas uma figura do Sacramento do Batismo da Nova Aliança, cujo efeitos deste último é a santificação da alma. No entanto, durante a vida, Nosso Senhor passará por diversas provações, na qual atesta o profeta Simeão: “Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições, a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua própria alma (Lc 2, 34-35)”.
Com esta lição aprendemos que apesar da vinda do Verbo de Deus a esta terra e fazer-se homem, manifestando a nós a plena alegria daquele que veio para salvar a todos, percebemos que desde o instante de seu nascimento na pobre gruta de Belém, em plena noite fria, rodeada por dois animais (o Boi e o Burro), estava previsto o quanto Jesus sofreria desde o instante de seu nascimento. Com isso, a catequese de hoje exporá os efeitos do Sacramento do Batismo, que apesar de limpa-nos da mancha de todo o pecado seja o original, seja o atual, não nos tira as conseqüências deste mesmo, que é a chama da concupiscência, como também as provações que passaremos nesta vida e o por quê que Deus não nos livra dos males da vida.
Efeitos do Batismo:
O Sacramento do Batismo, também conhecido como o Sacramento da regeneração, tem como efeito a isenção dos males, onde somos plenamente remidos do pecado original, na qual toda a natureza humana está manchada e sujeita a seus efeitos, como também do pecado atual que cometemos deliberadamente (Cat. Rom, p. II, c. II, §41-48). Também este Sacramento tem como efeito a Dotação de bens, onde recebemos a Graça santificante, as virtudes infusas (as sobrenaturais ou teologais: Fé, Esperança e Caridade), inserção no Corpo de Cristo e impressão do caráter batismal que jamais se apagará da nossa alma, mesmo se cairmos no mais grave dos pecados (Cat. Rom, p. II, c. II, §49-52).
Contudo, o Sacramento do Batismo não tira a concupiscência ou aguilhão do pecado.
A concupiscência não é pecado no rigor da palavra, mas que procede do pecado e ao pecado inclina. Santo Agostinho também dizia: “a culpa {resultante} da concupiscência, para as exercer na luta (August. De peccat. Merit. et remiss. 2, 4)”; “No Batismo, destrói-se a culpa {provinda} da concupiscência, mas persiste a fragilidade (August. Retract. 1, 15, 2)”. O Concílio tridentino, ao anatematizar o protestantismo, define a concupiscência: “Esta concupiscência que alguma vez o Apóstolo chama pecado (cf. Rm 6, 12), declara o Santo Concílio que a Igreja Católica nunca entendeu como pecado porque seja verdadeira e propriamente pecado nos renascidos, senão porque procede do pecado e ao pecado inclina (Denzinger. Enchiridion Symbolorum, n. 792. Concílio Tridentino, Sessão V)”. Assim conclui o Catecismo: “Com efeito, a concupiscência vem do pecado, mas em si não é outra coisa senão um apetite da alma que, por sua natureza, repugna à razão. Porém seus movimentos não envolvem nenhuma malícia de pecado, contanto que a vontade não consinta neles, nem se deixe arrastar por qualquer negligência (Cat. Rom., p. II, c. II, §42)”.
Portanto, o Batismo não nos limpa dos sofrimentos que haveremos de sofrer nesta vida, nem tampouco, conforme observa o Catecismo (Cat. Rom., p. II, c. II, §47), nos restitiu o dom de integridade (dom preternatural) em que se achava Adão em seu estado de justiça original. Eis as seguintes razões:
a) Porque Cristo quis tolerar: Cristo desde o instante de sua conceição esteve sujeito a toda condição que o homem encontrava e dela não se despojou a ponto de sofrer os tormentos da Paixão e da morte para que por meio dela fossemos remidos. Portanto conclui o Catecismo: “Não é, pois de admirar que os fiéis, não obstante a justificação pela graça do Batismo, continuem num corpo fraco e mortal; pois terão de sofrer muitos trabalhos por amor a Cristo, de passar pela morte e de ressurgir para uma vida nova, antes de serem dignos, afinal, de desfrutar com Cristo a eterna bem-aventurança (Cat. Rom., p. II, c. II, §47)".
b) Porque nos dão ocasiões de virtude: Todos os sofrimentos servem como de sementeira de virtudes, donde por meio deles colheremos os maiores frutos e lição para a nossa vida, conforme ensina o Catecismo: “Realmente, levando com paciência os sofrimentos da vida; submetendo, com o auxílio de Deus, nossos baixos instintos ao império da razão, podemos seguramente confiar que, se houvermos combatido o bom combate, consumado a carreira, conservando a fé, como fez o Apóstolo (cf. 2Tm 4, 7ss): 'Nosso Senhor, que é juiz, dar-nos-á naquele dia da retribuição a coroa da justiça, que também nos está preparada' (Cat. Rom., p. II, c. II, §47)”.
c) Porque excluem nos neófitos motivos inconfessáveis: Se o Batismo conferisse bens para o corpo, muitos procurariam não pela vantagem da vida futura, e sim somente a vantagem na vida presente: “O Cristão não deve ter na mente os bens falsos e incertos que aparecem aos olhos, senão os eternos e verdadeiros, que não se podem ver (cf. 2Cor 4, 18, apud. Cat. Rom, p. II, c. II, §47)”.
d) Porque o cristão é consolado nos sofrimentos: Ao mesmo tempo que encontramos a dor nesta vida, encontramos a alegria pelas consolações que Deus nos dá, a ponto de dar-nos alegria de tomar a cruz aos ombros, e seguir o Divino Chefe.
Portanto, conclui o Catecismo: “uns irão receber de Nosso Senhor a coroa da virgindade (cf. Ap. 14, 4), outros, a láurea de mestres e pregadores (cf. Dn 12, 3), outros, a palma do martírio (Ap 6, 9; 7, 13-17), outros enfim, a remuneração que corresponde às suas virtudes (ex: a todos os fiéis que cumprirem conforme o dever de estado, seja na famíia, profissão, etc). Contudo, nenhum de nós seria agraçciado com tais honras e distinções, se antes não nos adestrássemos na arena das tribulações da vida, e não saíssemos vencedores no campo de batalha (Cat. Rom, p. II, c. II, §48)”.
LAUS DEO MARIAEQUE!
Eduardo Gomes
“Uma espada transpassará a tua própria alma (Lc 2, 35)”
O Evangelho de hoje fala da apresentação de Jesus no templo para receber a circuncisão, conforme prescrevia a Lei de Moisés. De acordo com a explicação do 4º domingo do Advento sobre os Sacramentos (conforme artigo no blog: http://ascese-noturna.blogspot.com/2008/12/catequese-e-liturgia-quarto-domingo-do.html. Postado em 21/12/2008 às 17:11hs) – em especial sobre o Batismo –, vimos que a circuncisão era apenas uma figura do Sacramento do Batismo da Nova Aliança, cujo efeitos deste último é a santificação da alma. No entanto, durante a vida, Nosso Senhor passará por diversas provações, na qual atesta o profeta Simeão: “Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições, a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua própria alma (Lc 2, 34-35)”.
Com esta lição aprendemos que apesar da vinda do Verbo de Deus a esta terra e fazer-se homem, manifestando a nós a plena alegria daquele que veio para salvar a todos, percebemos que desde o instante de seu nascimento na pobre gruta de Belém, em plena noite fria, rodeada por dois animais (o Boi e o Burro), estava previsto o quanto Jesus sofreria desde o instante de seu nascimento. Com isso, a catequese de hoje exporá os efeitos do Sacramento do Batismo, que apesar de limpa-nos da mancha de todo o pecado seja o original, seja o atual, não nos tira as conseqüências deste mesmo, que é a chama da concupiscência, como também as provações que passaremos nesta vida e o por quê que Deus não nos livra dos males da vida.
Efeitos do Batismo:
O Sacramento do Batismo, também conhecido como o Sacramento da regeneração, tem como efeito a isenção dos males, onde somos plenamente remidos do pecado original, na qual toda a natureza humana está manchada e sujeita a seus efeitos, como também do pecado atual que cometemos deliberadamente (Cat. Rom, p. II, c. II, §41-48). Também este Sacramento tem como efeito a Dotação de bens, onde recebemos a Graça santificante, as virtudes infusas (as sobrenaturais ou teologais: Fé, Esperança e Caridade), inserção no Corpo de Cristo e impressão do caráter batismal que jamais se apagará da nossa alma, mesmo se cairmos no mais grave dos pecados (Cat. Rom, p. II, c. II, §49-52).
Contudo, o Sacramento do Batismo não tira a concupiscência ou aguilhão do pecado.
A concupiscência não é pecado no rigor da palavra, mas que procede do pecado e ao pecado inclina. Santo Agostinho também dizia: “a culpa {resultante} da concupiscência, para as exercer na luta (August. De peccat. Merit. et remiss. 2, 4)”; “No Batismo, destrói-se a culpa {provinda} da concupiscência, mas persiste a fragilidade (August. Retract. 1, 15, 2)”. O Concílio tridentino, ao anatematizar o protestantismo, define a concupiscência: “Esta concupiscência que alguma vez o Apóstolo chama pecado (cf. Rm 6, 12), declara o Santo Concílio que a Igreja Católica nunca entendeu como pecado porque seja verdadeira e propriamente pecado nos renascidos, senão porque procede do pecado e ao pecado inclina (Denzinger. Enchiridion Symbolorum, n. 792. Concílio Tridentino, Sessão V)”. Assim conclui o Catecismo: “Com efeito, a concupiscência vem do pecado, mas em si não é outra coisa senão um apetite da alma que, por sua natureza, repugna à razão. Porém seus movimentos não envolvem nenhuma malícia de pecado, contanto que a vontade não consinta neles, nem se deixe arrastar por qualquer negligência (Cat. Rom., p. II, c. II, §42)”.
Portanto, o Batismo não nos limpa dos sofrimentos que haveremos de sofrer nesta vida, nem tampouco, conforme observa o Catecismo (Cat. Rom., p. II, c. II, §47), nos restitiu o dom de integridade (dom preternatural) em que se achava Adão em seu estado de justiça original. Eis as seguintes razões:
a) Porque Cristo quis tolerar: Cristo desde o instante de sua conceição esteve sujeito a toda condição que o homem encontrava e dela não se despojou a ponto de sofrer os tormentos da Paixão e da morte para que por meio dela fossemos remidos. Portanto conclui o Catecismo: “Não é, pois de admirar que os fiéis, não obstante a justificação pela graça do Batismo, continuem num corpo fraco e mortal; pois terão de sofrer muitos trabalhos por amor a Cristo, de passar pela morte e de ressurgir para uma vida nova, antes de serem dignos, afinal, de desfrutar com Cristo a eterna bem-aventurança (Cat. Rom., p. II, c. II, §47)".
b) Porque nos dão ocasiões de virtude: Todos os sofrimentos servem como de sementeira de virtudes, donde por meio deles colheremos os maiores frutos e lição para a nossa vida, conforme ensina o Catecismo: “Realmente, levando com paciência os sofrimentos da vida; submetendo, com o auxílio de Deus, nossos baixos instintos ao império da razão, podemos seguramente confiar que, se houvermos combatido o bom combate, consumado a carreira, conservando a fé, como fez o Apóstolo (cf. 2Tm 4, 7ss): 'Nosso Senhor, que é juiz, dar-nos-á naquele dia da retribuição a coroa da justiça, que também nos está preparada' (Cat. Rom., p. II, c. II, §47)”.
c) Porque excluem nos neófitos motivos inconfessáveis: Se o Batismo conferisse bens para o corpo, muitos procurariam não pela vantagem da vida futura, e sim somente a vantagem na vida presente: “O Cristão não deve ter na mente os bens falsos e incertos que aparecem aos olhos, senão os eternos e verdadeiros, que não se podem ver (cf. 2Cor 4, 18, apud. Cat. Rom, p. II, c. II, §47)”.
d) Porque o cristão é consolado nos sofrimentos: Ao mesmo tempo que encontramos a dor nesta vida, encontramos a alegria pelas consolações que Deus nos dá, a ponto de dar-nos alegria de tomar a cruz aos ombros, e seguir o Divino Chefe.
Portanto, conclui o Catecismo: “uns irão receber de Nosso Senhor a coroa da virgindade (cf. Ap. 14, 4), outros, a láurea de mestres e pregadores (cf. Dn 12, 3), outros, a palma do martírio (Ap 6, 9; 7, 13-17), outros enfim, a remuneração que corresponde às suas virtudes (ex: a todos os fiéis que cumprirem conforme o dever de estado, seja na famíia, profissão, etc). Contudo, nenhum de nós seria agraçciado com tais honras e distinções, se antes não nos adestrássemos na arena das tribulações da vida, e não saíssemos vencedores no campo de batalha (Cat. Rom, p. II, c. II, §48)”.
LAUS DEO MARIAEQUE!
Eduardo Gomes

Nenhum comentário:
Postar um comentário