“Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus (Lc I, 31)”
O nome Jesus significa “Salvador”, e a imposição deste nome não foi por vontade dos homens senão por vontade de Deus. Adverte Santo Tomás I (Sum. Theol. 3ª p., q. XXXVII, a. 2) que o nome de cada um dos homens se impõem sempre por razão de alguma propriedade daquele a quem se impõe, já pelo tempo, como se impõem os nomes dos santos aos que nascem nas fastas dedicadas a eles, já pelo parentesco. Mas o nome que Deus impõe a alguns sempre significam algum dom gratuito concedido por Deus, como se disse a Abraão: “Serás chamado Abraão, porque te pus por pai de muitas gentes (Gn XVII, 5)”, e também a Pedro: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja (Mt XVI, 18)”.
Conforme a Sagrada Escritura, o nome Jesus já era atestado no Antigo Testamento. Assim se chamava o filho de Nun, que sucedeu a Moisés e que tinha a missão de levar o povo à Terra Prometida (Dt XXXIV, 9. Josué e Jesus são homônimos). Assim também se chamava o sumo-sacerdote, filho de Josedec (cf. Ag. I, 1). No Novo Testamento, o nome de Jesus foi designado por Deus a dar àquele que viria resgatar o gênero humano do pecado. Assim o Anjo anunciou a Virgem Maria: “Eis que conceberás em teu seio,e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus (Lc I, 31)”; e depois anunciou a José, esposo da Virgem onde indica porque deveria chamar-Se assim: “José, filho de Davi, não tenhas receio de levar para tua casa Maria, tua esposa; pois o que nela foi concebido, obra é do Espírito Santo. Portanto, ela há de dar à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque Ele há de remir Seu povo de seus pecados (Mt I, 20-21)”.
A justeza desse nome, conforme observa o Catecismo (p. I, c. III, §6) está pelo fato de ele não ter sido apenas o Salvador de um povo singular, mas a todos os homens de todas as épocas, livrando-o também não da fome ou da opressão, mas do pecado em que todos estavam merecidamente condenados, dando-nos assim o direito à herança do Reino dos céus.
Santo Tomás enumera as seguintes utilidades do Nome de Jesus (De Humanitate Christi, c. XXVI):
- Para o perdão dos pecados: Assim como observa São João em sua Epístola: “Escrevo a vós, filhinhos, porque são perdoados vossos pecados por seu nome (cf. 1Jo II, 12)”;
- Para a graça da saúde: “Óleo derramado é seu nome. Porque o óleo é alívio da dor (cf. Cant. I, 2)”. Assim também é o nome de Jesus, que conforme observa Pedro de Ravena: “Este é o nome que deu vista aos cegos, ouvido aos surdos, passo aos coxos, palavra aos mudos, vida aos mortos”.
- Para a vitória nas tentações: É o que atesta nos Evangelhos: “Lançaram demônios em meu nome (cf. Mc XVI, 17)”; e Pedro de Ravena conclui: “A virtude deste nome, de Jesus, expulsou dos possessos toda a potestade do diabo”.
- Para a confiança: Assim o disse àqueles que pedirem ao Pai em seu nome, o daria (cf. Jo X, 17). Santo Agostinho a propósito dessa passagem, diz: “Em meu nome, que é Cristo Jesus. Cristo significa Rei, Jesus significa Salvador; e tudo o que pedimos por ele, o pedimos em nome do Salvador, e ele é o Salvador, não somente quando faz o que pedimos, senão também quando não faz; porque quando se vê que é contrário a salvação, se mostra salvador não fazendo. Pois o médico conhece que pede o enfermo, quer em favor de sua própria saúde, quer contra ela; por conseguinte, não faz a vontade contraria do que pede, afim de sara-lo”.
Portanto, conforme observa o Catecismo, “todos os outros nomes que, segundo as profecias (cf. ex: - Is VII, 14; VIII, 8; IX, 6; - Jr XXIII, 6), deviam ser dados ao Filho de Deus, estão já incluídos nesse único nome de “Jesus”. Cada um deles exprime aspectos parciais da salvação que nos devia trazer; ao passo que o nome de Jesus abrange, por si só, o resgate do gênero humano, em toda a sua extensão e eficácia (Cat. Rom., p. I, c. III, §6)”.
LAUS DEO MARIAEQUE!
Eduardo Gomes
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
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