domingo, 14 de dezembro de 2008

Catequese e Liturgia - Terceiro Domingo do Advento




Evangelho: Jo I, 19-28


A voz que clama no deserto

A História Sagrada apresenta dois fatos que são o capital de toda ela: A queda e a Redenção do gênero humano. Por estes dois fatos capitais, surgem dois caminhos diferentes: a salvação eterna e a perdição eterna do gênero humano. Por estes dois fatos também toda a história sagrada se desenvolverá gradativamente. Assim ela está dividida em duas partes, que compreende o Antigo Testamento, onde fala sobre a queda de Adão e a desgraça que cairia todo o gênero humano, além das promessas que Deus dá aos homens (aqui o povo eleito) quando vem a seu auxílio; e no Novo Testamento temos a consumação de todas as promessas que foram preditas no Antigo Testamento sob diversas formas, seja por profecias, seja por imagens e figuras, como também, a recompensa definitiva em que todos os homens (vivos e mortos) receberão pelo bem e pelo mal que praticou, no último dia deste mundo.
Neste tempo litúrgico do Advento, somos convidados para a espera do Senhor que há de vir ao mundo para a nossa salvação, cujo remédio os homens em sua totalidade não podia reparar, senão aquele que havia de vir e que é o Filho Único de Deus, nascido desde toda a eternidade na natureza infinita de Deus Pai, se fez homem no tempo (Cat. Rom. p. I, c. III, §3).
O Evangelho de hoje apresenta João Batista, o último dos profetas, o percussor de Jesus. Para entender quem foi João Batista e qual a sua missão, serão expostas as promessas da redenção contidas no 2° Artigo da fé (Cat. Rom., p. I, c. III, §4) e o motivo pelo qual João Batista é a voz que clama no deserto.

- A promessa da Redenção:
Na Sagrada Escritura, a promessa da redenção sempre é anunciada desde o instante da queda do gênero até a preparação do caminho para a recepção do Redentor que se deu em João Batista, que é visto aqui como elo de ligação da Antiga Aliança com a Nova e Eterna Aliança, assim como a ponte que liga dois pontos que estão entre dois abismos. Conforme o Catecismo (p. I, c. III, §4), no Antigo Testamento são apresentados quatro fatos são importantes, na qual Deus revela a promessa da vinda do Redentor:
a) No paraíso: Logo que o gênero humano caiu em queda, anunciou a derrota que a serpente maligna (o demônio) sofreria a derrota: “Porei inimizades entre ti e a mulher, entre a tua raça e a tua descendência. Esmagará ela a tua cabeça, e tu amarrarás traições ao seu calcanhar (cf. Gn III, 15)”.
b) A Abraão: Deus fez grandes promessas a Abrão quando o chamou: “Farei de ti uma grande nação; eu te abençoarei e exaltarei o teu nome, e tu serás uma fonte de bênçãos... (cf. Gn XII, 2)”; e fez com que seu nome mudasse para Abraão, que significa Pai de uma multidão: “De agora em diante não te chamarás Abrão, e sim Abraão, porque farei de ti o pai de uma multidão de povos (Gn XV, 5)”; e que de sua nação “todos os povos da terra serão benditos nele (Gn XVIII, 18)”. Nestas passagens, Deus dava cada vez mais indicações deste mistério, já que por meio da nação de Abraão todos os povos seriam benditos nele. Ficou mais explícito ainda quando ia imolar Isaac, seu filho único, por obediência a Deus, mas que logo depois quando foi posto a prova, Deus o proveu um cordeiro imolado preso pelo chifre entre os espinhos (cf. Gn XXII, 13) para que fosse imolado no lugar de Isaac, onde podemos concluir que o cordeiro oferecido em holocausto no monte em que se chamaria Javé-Yuré, que significa, "Deus proverá" (cf. Gn XXII, 14), é a perfeita figura de Jesus Cristo, Filho Único de Deus, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo na qual Deus proveria, conforme confirma o Catecismo: “Destas palavras, era fácil reconhecer que, da posteridade de Abraão nasceria Aquele que havia de livrar todos os homens da horrenda tirania de Satanás, e trazer-lhes a salvação. Ora, {o Libertador prometido} devia ser {também} Filho de Deus, ainda que fosse, como homem, gerado do sangue de Abraão (Cat. Rom., p. I, c. III, §4, i. b)” .
c) A Jacó:
Deus confirmou com Jacó, neto de Abraão, a mesma aliança ao recordar a ele as promessas: “Dar-te-ei, a tia tua posteridade, a terra em que estás dormindo. E tua geração será como o pó da terra. Hás de estender-te para o Oriente e para o Ocidente, para o norte e para o meio-dia. Em ti e na tua geração serão abençoadas todas as tribos da terra (cf. Gn XXVIII, 13-14)”.
d) Aos profetas em geral: Deus revelou também aos Profetas, o nascimento do Filho de Deus, fazendo com que fosse clarificando aos poucos, apresentando sempre em forma de figuras e enigmas. Poderão facilmente ser encontrados nas profecias de Isaiás, Jeremias, Daniel e entre outros.

- João Batista, a voz que clama no deserto:
Conforme observado antes, João Batista foi o último dos profetas e o percussor de Jesus. Os outros profetas ao tratar da vinda do Redentor, falavam em forma de figuras e enigmas das promessas que viriam a acontecer quando viesse o prometido, enquanto o Batista, sendo elo entre a Antiga e a Nova Aliança, veio como a “voz que clama no deserto” e “preparar o caminho do Senhor (cf. Jo I, 23)”, tal como a alguém que enfeita no caminho o tapete por onde passará o Rei. Assim também, João Batista chama a si mesmo de “voz”, pois tal expressão é por sua origem posterior a palavra interior e anterior no conhecimento (ex: A voz é ligação entre Cristo e a alma). Conforme observa Santo Tomás (in Joan., I), existem quatro motivos em que o Batista era a voz que clamava no deserto: Para manifestar a Cristo, dirigir o clamor para com aqueles que estavam longe de Deus, para os que estavam surdos e para ser mais digno de dar testemunho de Cristo.

- Frutos do testemunho de João Batista:
O Evangelho de hoje ressalta a humildade do Batista: “Eu não sou o Cristo (cf. Jo I, 20)” – confessou –... e em seguida protestou dizendo não ser digno de desatar as correias das sandálias do Redentor (cf. Jo I, 27). Essa virtude de João Batista deve ser a mesma para nós, sobretudo neste tempo que vamos nos preparar para a recepção do Menino Jesus em nossos corações, que veio a este mundo de uma maneira tão desprezada. Que seja também para a segunda vinda gloriosa de Nosso Senhor que virá a dar recompensa a cada um pelo bem o pelo mal que praticou.





LAUS DEO MARIAEQUE!
Eduardo Gomes

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