sábado, 27 de dezembro de 2008

A pessoa de Jesus Cristo

“E em Jesus Cristo, seu único Filho e Nosso Senhor (Símbolo dos Apóstolos)”

Sobre a Pessoa de Jesus Cristo, o Depósito Sagrado (Sagrada Escritura e Tradição) contido resumidamente nos símbolo dos apóstolos e explanados tanto no Catecismo quanto no Magistério da Igreja, nos ensina que Jesus Cristo é o Filho Único de Deus e Nosso Senhor.
Conforme explicação contida especialmente no Símbolo Niceno-Constantinopolitano (também no Símbolo de Santo Atanásio ou “Quicumque”), há em Jesus Cristo dois nascimentos:
- O nascimento desde toda a eternidade: “Em um só Senhor Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos...”.
- O nascimento no tempo: “E encarnou por obra do Espírito Santo no seio da Virgem Maria, se fez homem”.
O Catecismo e o Símbolo mencionam somente esses dois nascimentos, pois justamente sustenta os dois mistérios mais profundos da nossa fé, que é a crença na Santíssima Trindade e na Encarnação do Verbo de Deus no tempo. Em Jesus Cristo também há um terceiro nascimento, que acontece em nós, na qual ao crermos firmemente em suas palavras, Ele nasce espiritualmente em nós (ver explicação Pe. Garrigou-Lagrange O. P. Os três nascimentos do verbo. Contido em:
http://ascese-noturna.blogspot.com/2008/12/os-trs-nascimentos-do-verbo-pe-reginald.html. Postado em 25/12/2008 às 7:21hs).
Sobre a filiação de Nosso Senhor, o Catecismo nos ensina a observar três considerações sobre Ele:
1. Filho único de Deus: A Sagrada Escritura está cheia de passagens na qual nos ensina a crer firmemente que Jesus Cristo é o Filho Único de Deus e que se não crermos, não há como Ele permanecer em nós e nós Nele (cf. 1Jo 4, 15). Assim também, o próprio Cristo havia perguntado aos seus Apóstolos “quem sou eu? (cf. Mt 16, 15)” e em seguida confirmou o testemunho de Pedro que havia dito ser “o Cristo, Filho de Deus vivo! (Mt 16, 16)": “Não foi a carne e nem o sangue que revelou isto, mas meu Pai que está nos céus (Mt 16, 17)”. Assim Jesus Cristo é:
a) De igual natureza com as outras pessoas: Há muitos trechos que a Sagrada Escritura nos ensina, mas nenhum é mais claro como o Prólogo do Evangelho de São João: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus (cf. Jo 1, 1)”. Assim conclui o Catecismo: “... confessamos que é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, perfeitamente igual às duas outras Pessoas Divinas. Nenhuma desigualdade ou diferença pode haver, ou imaginar-se nas três Pessoas divinas, porque em todas elas reconhecemos a existência de uma só natureza, de uma só vontade, de um só poder (Cat. Rom., p. I, c. III, §8)”.
b) Gerado desde toda a eternidade: Sobre este ponto, o Catecismo nos adverte que “não nos ponhamos a imaginar que em Sua geração exista algo de terreno ou mortal (Cat. Rom., p. I, c. III, §8)”. Esse é um artigo de fé, um mistério na qual Cristo revelou ao falar de si mesmo: “O ato pelo qual o Pai gera o Filho desde toda a eternidade, não podemos absolutamente perceber com a inteligência, e muito menos compeênde-lo de maneira adequada. Devemos no entanto, acredita-lo com firmeza, e adora-lo com a maior devoção de nossa alma (op. cit., §8)". Assim define o símbolo Niceno-constantinopolitano: “...Gerado, não criado...”.
c) Consubstancial ao Pai: Por ser gerado desde toda a eternidade conforme exposto anteriormente, resta-nos dizer que a fé nos ensina que “o Filho tem a mesma natureza, o mesmo poder, a mesma sabedoria que o Pai (Cat. Rom., p. I, c. III, §8)”.


2. Filho do Homem: Ao explicar sobre Jesus como Filho Único de Deus, mostramos que Jesus é Verdadeiro Deus. Mas Cristo por Sua Encarnação é Verdadeiro Homem, pois a Encarnação não foi feita no Pai e nem no Espírito Santo (ainda que tenha sido obra comum das Três Pessoas Divinas e atribuída ao Espírito Santo), senão no Filho somente, que na humanidade fora Filho do Homem, Homem Verdadeiro da mãe, tendo verdadeira carne da mãe, e alma humana racional, juntamente de uma outra natureza, quer dizer, Deus e homem, uma só Pessoa, um só Filho, um só Cristo (cf. Denzinger. Enchiridion Symbolorum, n. 422. Ver também n. 257, 285, 708 e 993).
3. Nosso Criador e nosso Irmão: Por ser Cristo uma Pessoa Divina, não somos mais do que obras de suas mãos, e, portanto Cristo, por sua geração divina, não possui co-herdeiro por ser Ele o Filho Único. Mas por Sua origem humana, Cristo dá a muitos o nome de “irmãos” e trata-o como tais. O Apóstolo demonstra o motivo que Cristo o chamava de irmãos: “Aquele para quem oe por quem todas as coisas existem, desejando conduzir à glória numerosos filhos, deliberou elevar à perfeição, pelo sofrimento, o autor da salvação deles, para que santificador e santificados formem um só todo. Por isso (Jesus) não hesita em chamá-los seus irmãos (Hb 2, 10-11)”. E o mesmo conclui: “Veio em socorro, não dos anjos, e sim da raça de Abraão; e por isso convinha que ele se tornasse em tudo semelhante aos seus irmãos, para ser um pontífice compassivo e fiel no serviço de Deus, capaz de expiar os pecados do povo (Hb 2, 16-17)”. Em outra passagem, o Apóstolo também chamou de “Primogênito entre muitos irmãos (Rm 8, 29)”. Portanto, o Catecismo ensina: “os irmãos são aqueles que pela fé receberam a Cristo Nosso Senhor (cf. Lc 8, 21; Jo 1, 12-13), e por obras de caridade comprovam a fé e professam de boca (Cat. Rom, p. I, c. III, §9)”.





CHRISTUS VINCIT, CHRISTUS REGNAT, CHRISTUS IMPERAT!
LAUS DEO MARIAEQUE!
Eduardo Gomes

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