“O Espírito do Senhor está sobre Mim, porque o Senhor Me ungiu, e Me enviou para pregar aos que são mansos (Is 61, 1)”
Ao ser imposto sobre o Verbo de Deus o nome de Jesus, acrescentou o apelido de “Cristo”, que quer dizer “Ungido”. A expressão serve para designar uma dignidade e um ministério, independente das funções a serem exercidas.
No Antigo Testamento, eram chamados “cristos” os sacerdotes e os reis, que eram ordenados por Deus para que fossem ungidos, em atenção à dignidade de seu ministério.
Os sacerdotes são aqueles que por meio de assíduas preces, recomendam o povo a Deus. São eles que oferecem sacrifícios a Deus, e aplicam pelo povo o poder de sua intercessão, conforme observa as seguintes passagens da Sagrada Escritura, quando Deus diz a Aarão a função que ele e tua família exercerá: “Tu, teus filhos e tua família contigo, levareis a responsabilidade dos pecados cometidos no santuário. Tu e teus filhos contigo, levareis a responsabilidade dos pecados cometidos em vosso sacerdócio (cf. Nm 18, 1. Ver também outras passagens: Sb 18, 20-25; no Novo Testamento, o Apóstolo resume perfeitamente a função dos sacertodes, cf. Hb 5, 1-14)”.
Os reis, porém, está a confiado o governo dos povos. Seu dever primordial é salvaguardar a autoridade das leis, proteger a vida dos inocentes, e punir a audácia dos criminosos.
Ambos os ministérios são uma imagem da majestade de Deus, aqui na Terra. Por isso os que eram eleitos eram ungidos com o óleo santo (cf. 1Sm 10, 1; Ex 30, 30).
Também os profetas eram ungidos ao ser escolhidos para serem mensageiros de Deus, exortavam o povo à regeneração dos costumes, ao revelar os segredos do céu e prever o futuro.
No Novo Testamento, Nosso Salvador foi chamado de Cristo pelo tríplice encargo de profeta, sacerdote e rei. Conforme observa o Catecismo: “Não foi obra dobra de nenhum mortal, mas pela virtude do Pai Celeste. Não foi com uma unção de óleo terrestre, mas de óleo espiritual, quando em Sua Alma santíssima se derramaram a graça, a plenitude e os dons do Espírito Santo, em tal superabundância que nenhuma outra criatura a poderia jamais comportar (Cat. Rom., p. I, c. III, §7)”. Portanto, Cristo foi ungido pelo Espírito Santo:
a) Como sumo profeta: É o que prediz o profeta Isaiás da boa nova que haveria de anunciar: “O Espírito do Senhor está sobre Mim, porque o Senhor Me ungiu, e Me enviou para pregar aos que são mansos (Is 61, 1)”. Portanto, observa o Catecismo: “Cabe-lhe o nome de Profeta com maior glória e distinção, porquanto não passavam de discípulos Seus todos aqueles que {anteriormente} tiveram a honra desse nome, e que não foram enviados senão para anunciar o Profeta por excelência, que viria salvar todos os homens (Cat. Rom., p. I, c. III, §7)”.
b) Eterno sacerdote: Conforme a exaltação do profeta Davi: “Vós sois sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedec (cf. Sl 109, 4)”; e a explicação do Apóstolo: “Assim também Cristo não se atribuiu a si mesmo a glória de ser pontífice. Esta lhe foi dada por aquele que lhe disse: ‘Tu és meu Filho, eu hoje te gerei (Sl 2, 7)’ (cf. Hb 5, 5)”.
c) Rei universal: “Há de reinar eternamente na casa de Jacó, e Seu reino não terá fim (cf. Lc 1, 32)”. Portanto, ensina o Catecismo: “Cristo é Rei, não só como Deus, mas também enquanto Homem, participante da nossa natureza (Cat. Rom., p. I, c. III, §7)”. O reinado de Cristo é espiritual e eterno. Começa na terra e termina no céu. Enquanto o reino de Cristo caminha neste mundo, seu domínio é a Igreja, na qual estão inseridos todos os seus fiéis que professam um só Rei e Senhor e recebem os mesmos sacramentos, independente se são homens bons ou maus. Também seu reinado se estende ao mundo inteiro, porque por sua união hipostática (união de sua natureza divina com a natureza humana), Ele podia comportar de poder, grandeza e dignidade. Portanto, Ele é o Senhor de todas as coisas visíveis e invisíveis (cf. Credo de Nicéia e Constantinopla). Portanto, conclui o Catecismo: “Cristo já começou a dominar, mas só no dia do Juízo é que todas as coisas se curvarão plena e incondicionalmente, à Sua autoridade (Cat. Rom., p. I, c. III, §7)”.
CHRISTUS VINCIT, CHRISTUS REGNAT, CHRISTUS IMPERAT!
LAUS DEO MARIAEQUE!
Eduardo Gomes
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